Cusco - Mochilão América do Sul


Cusco é a cidade mais linda do Peru, da viagem e quem sabe até das Américas. Um lugar ímpar, que conseguiu mesclar de forma harmoniosa em sua arquitetura e cultura as influência do conquistador espanhol e da civilização Inca. Em quéchua, a palavra qosqo significa “umbigo do mundo”, e os incas não foram nada pretenciosos. Antes dos espanhóis chegarem, Cusco, era o centro do império Inca e, não por acaso, foi uma das cidades mais importantes do período na época colonial.

Caminhar pelas ruas da cidade é como voltar ao passado e sentir a presença e história dos incas, seja nos museus, na fisionomia dos índios ou nas belas construções feitas pelo perfeito encaixe entre pedras. Os traços fortes desta cultura ancestral marcam a estadia na cidade. Toda esta riqueza cultural, religiosa e arqueológica é o que torna Cusco um famoso destino turístico internacional.

Minha chegada a Cusco foi tensa, eu não tinha feito cambio antes de sair de Puno, cheguei na cidade muito tarde, quase meia noite, tinha 12,50 soles e não tinha reserva em nenhum hotel. Um taxista me abordou perguntando se eu precisava de táxi, perguntei se tinha algum lugar para cambio pois eu não tinha nem dinheiro para o hotel e ele disse que isso não era problema, qualquer hotel me aceitaria, para que eu pagasse no outro dia e que ele me levaria pelo dinheiro que eu tinha (12,50 soles). No primeiro hotel que paramos não tinha vaga, nem no segundo, nem no terceiro. Nesse ponto eu já estava sentada no banco da frente, para facilitar a descida e o negociação para ver se tinha vaga, foi quando o taxista perguntou de onde eu era, quando eu disse que era do Brasil ele se admirou, por eu ser loira, e perguntou em um tom de ironia: “Pero Brasil tiene solo negro!” e eu respondi que o Brasil é imenso e tem de tudo, foi então que ele passou a mão na minha perna e disse que eu poderia dormir no carro dele se não encontrasse alguma vaga! Eu morri por um momento, se abriu um buraco negro de vácuo em minha vida e eu não acreditava que aquilo tava acontecendo comigo, por um momento não sabia o que fazer, foi quando respondi rispidamente: “Pode parar o carro que vou descer e ficar aqui nessa rua”, ele se assustou pelo tom e acho que ficou com vergonha pois disse que na esquina tinha outro hotel e que certamente teria vaga, e tinha. Nem me despedi dele, entrei No Puma Kiru – que ficava a 5 minutos a pé da Plaza de Armas – e fiz dele meu refúgio, eu ficaria só aquela noite lá, mas resolvi estender minha estadia, pois o local era seguro, limpo e agradável. Tive uma noite tranquila.

No dia seguinte eu tinha que resolver algumas questões, ir a um banco, pegar meus tickets do PeruRail, comprar um pau de selfie novo – era bem estranho tentar pedir um pau de selfie, pois eles não entendiam direito o que eu queria - e para isso fiz uso de um mapa e as instruções do recepcionista do meu hotel, eu achei que nunca conseguiria chegar aos locais que precisava, mas as informações foram precisas e deu tudo certinho.

Quando finalmente cheguei a Plaza de Armas constatei que tudo o que tinha ouvido e lido sobre o local era verdade, é mesmo encantador e mágico. Tudo é muito bonito, tudo tem um aspecto meio enigmático, não consigo nem explicar.
Na plaza muitas mulheres ofereciam um passeio em um ônibus panorâmico a algumas ruínas que ficavam perto da cidade, resolvi então que comeria algo e a tarde faria o passeio.
Fui ao hostel, deixei algumas coisas e na volta parei em um restaurante para almoçar. Almocei em ótimo restaurante na Calle Santa Catalina e finalmente provei o Choclo – o famoso milho do Peru. No restaurante tinha música ao vivo, com uma banda típica do Peru – e eu tive que pagar 10 soles pela música, além do almoço que não foi dos mais baratos... lamento até hoje.

No city tour conheci 3 amigos – Elizabeth do Peru e Tamara e Gaston da Argentina, de Salta, uma cidade que conheci no início do mochilão. O trajeto do passeio envolvia as ruínas da fortaleza de Sacsayhuamán, alguns túneis próximos a Q'enqo – dizem que os túneis interligava toda a cidade de Cusco, já foram descobertos túneis com mais de 2 km de comprimento e antigamente eles eram abertos, mas houve um episódio onde 3 crianças peruanas que brincavam pelas redondezas se perderam nos túneis, dois dias depois apenas uma delas retornou, ela trazia uma espiga de milho de ouro que hoje se encontra exposta no museu Inca, até hoje não se tem notícia das outras duas crianças, por conta disso os túneis agora ficam fechados, apenas uma pequena parte pode ser explorada. Depois dos túneis seguimos para uma feira de artesanato com preços impraticáveis e foi na frente dessas lojinhas que tirei a minha foto com a Lhama que quis comer meu cabelo. O último atrativo do passeio foi o Cristo Blanco – que com uma certa dose de generosidade, lembra o cristo redentor –ok, lembra por ficar no alto, ser um cristo e tal – a estatua foi presente da comunidade palestina, uma forma de agradecimento por a cidade ter os acolhidos.

O passeio foi interessante, mas o mais legal foi os amigos que fiz. Combinamos que mais tarde nos encontraríamos na plaza e sairíamos para jantar.
A noite fomos jantar na Recoleta, um bairro próximo a plaza e ao meu hotel, é um lugar com uma rua bem estreita, apenas de uma mão e várias casas coloniais, particularmente achei um charme, fiquei encantada com o lugar. Meus amigos escolheram comer pizza – é, no primeiro encontro eu nunca digo que não como pizza, as pessoas podem me achar estranha, quererem desfazer a amizade, afinal, quem não como pizza? Então comi, afinal... eu não ia morrer – foi nessa noite também que tomei a primeira cerveja da viagem, uma Cusquenã... nada demais, mas valeu para experimentar. A pizza até que não estava das piores, pois tinha a massa bem fininha. Conversamos e rimos muito, foi uma janta bem divertida, tive que desenvolver muito meu espanhol para poder participar ativamente das conversas.

Depois da pizza, Elizabth sugeriu que deveríamos ir até o Mama África, pois ninguém vai a Cusco e deixa de conhecer o lugar. Para você entender, o Mama África está para Cusco assim como o Pony esta para Montevideo! O lugar toca basicamente música latina, muita, muita Salsa, com um pessoal que dança mega bem. Foi lá que tive uma grande desilusão, eu já tinha ouvido dos meus amigos chilenos que o axé tinha entrado no mercado musical da América do Sul, mas constatei isso com meus próprios olhos – e diga-se de passagem, ouvidos - quando todo mundo dançou e cantou a plenos pulmões a “Dança da Manivela”, tristeza para os brasileiros! Mais uma vez todos esperavam muita dança vinda de meus pés, porém mais uma vez decepcionei. Como sou daquelas turistas que tem que fazer algumas coisas clichês eu não poderia ir ao Peru sem tomar Pisco Sour, uma bebida à base de cachaça e com uma espécie de cobertura de clara de ovo que é a mais tradicional do país. Tomei e não gostei, achei mega forte, mas o que vale é participar da cultura local. Chegamos super cedo e fomos embora cedo também, afinal, apesar do lugar ser animado tínhamos muitas coisas para explorar no dia seguinte.



Elizabeth não estava mais conosco no outro dia, ela seguiu para outra cidade, pois trabalha em uma mina de carvão – achei muito jogos vorazes. Gaston, Tamara e eu tivemos um maravilhoso almoço em um dos balcões dos restaurantes da Plaza de Armas, além da comida estar muito boa, contemplar aquela vista da praça era um deleite, eu até ia comer a sobremesa somente para ficar mais tempo com aquilo as vistas dos meus olhos, mas estávamos atrasados para seguir até as Salineiras.
As Salineras de Maras são ainda mais especiais do que as fotos. Lá as famílias locais produzem desde a época dos Incas, o sal de Maras. A área é dívida em cerca de 4 mil “piscinas de sal” e cada família cuida de até 40 canteiros diferentes.

As salinas vêm de uma fonte natural que foi canalizada pelos incas para distribuir a água entre as piscinas, a água desce da montanha quentinha. As diferentes cores representam o estágio do sal, que colhido em três etapas diferentes, a primeira para consumo humano, a segunda para consumo animal e a terceira para cosméticos.

Um dos desafios desse passeio é passear pelas salineiras sem cair nelas, basta um escorregão para você ganhar um dos banhos menos agradáveis da sua vida, para mim o desafio era ainda maior devido a minha deficiência visual e a dificuldade que tenho em identificar a profundidade dos obstáculos do chão, além disso eu tinha que segurar meu chapéu e minhas câmeras, foi tenso, mas valeu a pena. Nas Salineiras comprei uma espécie de Choclo torrado, um aperitivo vendido aos turistas, parecia milho de pipoca não estourado, mas era bom.
Na volta nosso taxista nos fez a proposta de aumentar o valor cobrado e nos levar até Moray, um outro sítio arqueológico das redondezas.  

Moray é formado por terraços circulares, o lugar é espetacular, a princípio não entendíamos bem a sua finalidade, era magnifico, mas meio sem explicação, depois perguntamos ao nosso motorista e segundo ele, os arqueólogos, ainda divergem em suas explicações acerca da finalidade. Para alguns, o lugar era um anfiteatro, ou um centro de devoção – inclusive até hoje é centro de peregrinação para devotos de cultos andinos antigos. Assim como na Grécia antiga, parece que os incas também entendiam um pouco da acústica que esse tipo de desenho proporcionava. Para outros, o lugar era agrícola mesmo. Talvez um que não recomendamos a ninguém, pois a comida estava ruim e me fez mal no dia seguinte. Comemos Ceviche de entrada, uma carne de porco e a sobremesa – única que se salvava.

Fui para o hotel mas resolvi que precisava gastar mais dinheiro, tinha que comprar algumas lembrancinhas para trazer para minha família e meus amigos, então fui dar minha última volta na Plaza de Armas, sentir pela última vez aquela atmosfera antes de realizar lugar para fazer testes entre diferentes variedades de tubérculos e cereais, para otimizar a produtividade, para adaptar as sementes a diferentes altitudes, enfim, fora a explicação formal o lugar é incrível. Quando chegamos o local já estava fechado e não tinha ninguém fiscalizando, então, acredito que meio sem querer podemos ter passado por algum lugar que não era necessariamente permitido. Mas tudo, ok.

Durante toda a nossa tarde vimos montanhas nevadas em uma paisagem estonteante, além também de ter que parar o carro para dar passagem de rebanho de ovelhas, foi uma tarde maravilhosa em companhia de duas pessoas queridíssimas.
Ao retornar para Cusco ainda jantamos juntos em um restaurante que não recomendamos a ninguém, pois a comida estava ruim e me fez mal no dia seguinte. Comemos Ceviche de entrada, uma carne de porco e a sobremesa – única que se salvava.


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